Tomei um banho, coloquei uma roupa confortável e teria que encarar os livros da faculdade sem escapatória. Como eu iria me concentrar eu não sei, mais sem tentativas não ia saber.
O celular estava ao meu lado, só a espera da ligação do Nando. Queria fazer as pazes, mas meus pensamentos eram cada vez piores em relação a o que seria da minha vida sem ele. Depois de conhecer o Paulo, criei espectativas de 'uma solteira', afinal, qualquer pessoa imaginaria um filminho com aquele homem. Tão seguro de si, tão simples e ao mesmo tempo tão maduro. Precisava de um homem assim. Que me fizesse tremer, me fizesse amar.
Tentando fugir dessa traição, abri o livro e comecei a estudar o nome dos tais medicamentos.
Olhei pela janela e já era noite. Nada de ligação. Levantei um pouco, andei pela casa, escutei um barulhinho e fui ver que tinha começado a chover. Corri pra pegar as roupas do varal, dobrei bonitinho e coloquei em cima do sofá. Olhei pro meu celular e a luz da tela estava acesa. Peguei correndo, quase deixei ele cair. O Fernando tinha me ligado 2 vezes. Aposto que nessa hora ele deveria estar pensando besteira.
Mais motivo pra briga!
Retornei a ligação. Ele esperou tocar um bom tempo pra atender:
- Oi, amor. - acabei percebendo um tom meio ironico.
- Tudo bom, Nando?
- Tudo sim e você?
- Haa, eu to bem. Acabei de estudar agorinha e eu não atendi suas ligações porque eu tava lá fora pegando as roupas no varal. Tá caindo um toró aqui.
- Ha sem problemas, meu amor.
Acho que eu havia me enganado quando ao tom ironico. Ele me parecia normal agora. Nem tinha assunto pra conversar mais com ele. O silencio de 4 segundos foi interrompido com um relampago super forte. Dei um grito bem alto.
- Desculpa, amor. Me assustei.
- O que que você vai fazer agora, Ana?
- Haa, acho que nada. Devo assistir um filme e dormir. Porque?
- Será que você aceitaria minha compania essa noite?
- Depende, Nando. O que você quer fazer?
- Queria ficar agarradinho debaixo da coberta pra você não ter medo da chuva.
- Haa, tudo bem, mas amanha eu tenho prova cedo!
- Ana, relaxa que eu vou embora antes do galo cantar.
- Tá bom. Que horas você vem?
- Vou trocar de roupa e to indo!
- Ahaamm. Beeijo.
- Outro.
É claro que eu queria ele perto de mim. Tava precisando de carinho, agora.
Ia colocar uma roupa descente e passar um perfume pra esperar o Fernando.
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