quarta-feira, 2 de junho de 2010

Engano

Aquela madrugada estava fria não só na temperatura, como também em tudo que iria acontecer. Coloquei meu casaco e fui ao banheiro, me olhei no espelho com os olhos bem fechados para nao espantar o sono e voltei pra cama.
Até que consegui dormir de novo.
~ Já eram 8h30 e já estava atrasada para mais um dia de trabalho. Corri para me arrumar e tomar café. Como faria isso? No transito, treinei no retrovisor o jeito de falar.
Até chegar a uma conclusao certa demorou um pouco.
Entrei na clinica sem dar bom dia, as meninas da recepçao até estranharam meu jeito. Custei a me tocar de que se estava de mal humor. Me desculpei depois, afinal não podia descontar tudo nelas. O dia foi um pouco tumultuado, cheio de pacientes.
Cheguei em casa meio tarde para me aprontar para a tão esperada hora de colocar em pratica as palavras que havia treinado.

Me arrumei sem muita maquiagem, sem estar muito bonita, sem estar me arrumando para uma pessoa que amo. Sem dedicaçao no look.
Ele ia passar pra me pegar as 21hrs. Como sempre, ele chegou mais cedo! Estava todo arrumado e com um cheiro de enlouquecer qualquer pessoa. Mas quando eu o vi, nao senti nada de diferente, meu corpo permaneceu o mesmo. Para o cumprimento, um beijo bem beijado. Dá parte dele, porque até aquele momento eu iria acabar o nosso relacionamento naquela noite. Terminei logo o beijo para que ele perceba desde já o meu objetivo do encontro em plena terça feira.
Fomos ao restaurante de sempre, sentamos na mesa de sempre e comemos o de sempre.
Estava cansada desse sempre. Um dos meus motivos. Queria coisas novas, viagens, diversão, agitaçao! O que não tinha.
Depois de comermos, ele resolveu fazer um brinde. Achei estranho ele não ter percebido como eu estava agindo diferente. Será que meu jeito um pouco meigo não permitiu que ele entendesse que estava tentando ser seca?
- Um brinde a que? - Perguntei com um timbre de voz anormal.
Então ele se levantou, caminhou até minha cadeira, ajoelhou-se e me mostrou um anel.
Não acredito no que estava vendo! Eu queria terminar e ele me aparece com um anel? O que eu faria, acabava com a brincadeira de uma vez ou fingia que estava tudo bem e aceitaria o anel para quem sabe tentar ser feliz ao lado dele?
Esse momento se congelou na minha mente.
Então ouço bem no fundo de minha consciencia:
- Ana, aceita se casar comigo?
Eu ainda não estava em mim, pensando no que faria. Ele então pegou em minhas mãos e olhou no fundo dos meus olhos cheios de agua. Parecia que estava chorando de felicidade, mas nao era. Ele então disse:
- E então, meu amor. Aceita se casar comigo?

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